sábado, 6 de novembro de 2010

Bibliotecário ao Resgate

Tive que interromper a série de postagens acadêmicas que estou fazendo para contar a vocês algo que me aconteceu ontem. Todo mundo sabe que acidentes ou sinistros ocorrem seguidamente, mas no dia de ontem foi a minha vez de presenciar um deles. Estava retornando do trabalho, e havia embarcado no ônibus não fazia cinco minutos. Uma senhora de meia idade, uns 55 anos, acompanhada do filho e duas irmãs (acredito) teve um mal-estar. Estava sentada quando perdeu a consciência. O filho tentou acordá-la, mas foi em vão. Nesse instante, a personagem mais esquisita da história entrou em cena. Uma moça exageradamente magra, loira, vestida de suplex rosa (no bom estilo Brasil Sul, Rala Bela e por aí vai) começou a gritar para o cobrador e o motorista. Pedia que parassem o ônibus, pois que a mulher estava mal. Logo ela disse que era técnica em enfermagem e assumiu a situação. Várias pessoas se aproximaram da mulher e a técnica a plenos pulmões gritando e pedindo coisas às pessoas, deixando todos nervosos: “Alguém me de uma bolsa!” A técnica assim falou quando deitou a senhora no corredor. Estranhei. Ela colocou a bolsa embaixo da cabeça da mulher, como se fosse um travesseiro. A senhora desmaiada era muito gorda e deitada ocupava todo o corredor. Logo, a técnica ficou com as pernas apertas, praticamente à cavalo na mulher. Foi quando ela disse que iria ver os sinais vitais. Para minha surpresa, a técnica colocou a mão na barriga da mulher. Desde quando se vê sinais vitais dessa forma? Percebi que, ou aquela mulher era uma charlatã ou estava se formando em técnico em enfermagem no açougue da esquina. Os procedimentos estavam errados. Perguntei se podia ajudar e tomei a frente. Pedi para alguém chamar uma ambulância e para todos terem calma e se afastarem da mulher. Tirei a bendita bolsa/travesseiro e segui os procedimentos de primeiros socorros (agradeço ao treinamento no Corpo de Bombeiros que tivemos em 2009). Verifiquei os sinais, estavam fracos. Chamei pelo nome da senhora, Lueci... Ela não respondeu. Aguardamos, aguardamos... Dez minutos e nada da ambulância. Adivinhem o que aconteceu? Os sinais cessaram e a mulher teve uma parada, cardíaca acredito. Aí pensei: “Meu Deus e agora?” Ou eu fazia algo que nunca tinha feito (morrendo de medo) ou deixava Dona Lueci simplesmente perecer na frente da família dela. Pedi a ajuda do filho, abri a camisa da senhora, coloquei as mãos sobre o peito, levemente à esquerda. Três empurrões e o filho soprou com força o ar, tapando o nariz da mãe. Seis empurrões e nada. Nove, doze, quinze e nada... Fiquei extremamente tenso, é uma situação horrível! Foi quando a massagem fez efeito e o batimento voltou, fraco ainda. Sentimo-nos aliviados. Cerca de dez minutos depois chegaram os médicos. Injetaram coisas, fizeram ela cheirar outras coisas, ela despertou. Puseram ela na maca e a levaram junto com o filho. Fui me sentar, me acalmando ainda. O ônibus voltou a andar e em minutos estava na hora de descer. Nesse instante uma familiar pegou a minha mão e agradeceu. Só sorri e disse que a Dona Lueci ficaria boa novamente e que eu só queria ajudar. Foi quando aquela, que devia ser irmã, puxou palmas e as pessoas que ainda estavam me aplaudiriam quando desci. Acho que nunca fiquei tão encabulado como naquela hora. Mas digo que me sinto feliz em poder ter salvado a vida de alguém nesse dia.

Lucas Rodrigues

3 comentários:

Marcia Kupo disse...

waaau D:

falando sério agora, que teeenso!

Leonardo disse...

Esse é o Lucas que a gente conhece! Viu a necessidade, tomou a frente e ajudou a resolver o problema. Bibliotecário herói: "Ao infinito e além" by Buzz Lightyear XD

Beijo,
Léo

Tatiane disse...

Zana 4ever!!!!!

e a louca técnica, desceu e foi na samu junto? HAHHAHAHAH

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